Experiências de abandono, caos, privação, repressão e até sufocamento por excesso de cuidados, entre outras, vividas principalmente na infância, geram padrões, crenças e hábitos. A autossabotagem surge da necessidade primitiva de sobrevivência (física e emocional), porém na vida adulta ela causa muitas interferências, seja nos relacionamentos ou na forma de agir e encarar a vida.

É importante observar os padrões e identificar os tipos de sabotadores internos que cada pessoa sustenta em si, pois a consciência é o primeiro passo para a neutralização de comportamentos prejudiciais.

AUTOSSABOTADOR CRÍTICO

O crítico é o principal sabotador e está presente em todas as pessoas. É o detector de defeitos, capaz de encontrar problemas em si, nos outros, nas condições e circunstâncias. Assim como os outros sabotadores, conta mentiras e se justifica pela necessidade de pressionar para que não haja acomodação, de punir para que não haja erro e de impulsionar para que os melhores resultados sejam alcançados. Sentimentos como medo, ansiedade, decepção, raiva, culpa e vergonha são comuns quando o crítico domina o ser. Os outros sabotadores a seguir, agem em conjunto com o crítico.

AUTOSSABOTADOR INSISTENTE

Faz com que o indivíduo cobre de si um padrão de qualidade inatingível. Entre as pessoas próximas é tido como “cricri” e perfeccionista. Sua busca obstinada por perfeição faz com que se sinta constantemente insatisfeito, causando angústia e frustração em si e nas outras pessoas com quem se relaciona.

AUTOSSABOTADOR PRESTATIVO

O sujeito excessivamente prestativo, que coloca as demandas dos outros em primeiro lugar e deixa de encarar as próprias necessidades (e todo o trabalho interno que elas podem dar) mantém em si o sabotador interno prestativo. Ele se desdobra para agradar a todos, porém existe uma expectativa de retribuição. Uma das motivações é a apreciação alheia, pois sua baixa autoestima é dependente de elogios, validações e reconhecimentos.

AUTOSSABOTADOR HIPER-REALIZADOR

O sabotador interno hiper-realizador faz com que o indivíduo seja extremamente preocupado com sua imagem. Esse tipo de pessoa persegue o sucesso exterior e tem sua posição, seus títulos e cargos como seus bens mais preciosos. Por baixo dessa imagem impecável, podem existir acontecimentos ou sentimentos desagradáveis com os quais a pessoa não quer lidar e as ações em torno da manutenção da imagem a ocupam e distraem dessas mazelas.

AUTOSSABOTADOR VÍTIMA

A dinâmica do autossabotador vítima é o ressentimento e o drama, o convívio com ele chega a ser desgastante. Ele faz com que o indivíduo acredite que é necessário sustentar a tristeza, a raiva e a apatia para ser considerado. Para tal, ele se fixa a situações nas quais se sentiu reprimido, criticado e maltratado e passa a revivê-las internamente, destacando esses fatos para si e para as outras pessoas que o cercam.

AUTOSSABOTADOR HIPER-RACIONAL

Quem carrega um sabotador interno hiper-racionaliza acredita que focar nas emoções é uma perda de tempo. Razão e conhecimento vêm em primeiro lugar na opinião desse indivíduo. Ele se irrita com pessoas sentimentais e causa mal-estar em outras por conta de uma certa arrogância e do ar de superioridade que apresenta. Essa racionalidade dominante serve apenas como um disfarce para as emoções profundas com as quais ele não quer lidar.

AUTOSSABOTADOR INQUIETO

A busca incessante por novos estímulos, associada a uma animação e agitação contínuas compõem o padrão da pessoa que tem um sabotador interno inquieto. Assim como outros sabotadores, o inquieto surge quando a pessoa não quer encarar fatos, sentimentos e emoções desagradáveis. Permanecer em estado de excitação é sua forma de fugir da reflexão.

Este tipo de pessoa não consegue viver com intensidade e presença, pois normalmente estará pensando na próxima atividade ou desdobrando a situação vivida mentalmente. Sensações como: “a vida é curta, preciso aproveitar”, ou “deve ter algo mais interessante para fazer”, são constantes para quem convive com esse sabotador.

AUTOSSABOTADOR HIPER-VIGILANTE

Quem possui o autossabotador hiper-vigilante dominante vive ansioso e em estado de alerta, pois coloca seu foco constantemente nos riscos e nos perigos da vida. Costuma esperar pelo pior e tem muito medo de errar. Busca conforto seguindo procedimentos e se cercando de garantias. Dificilmente entra em contato com as situações, se apoiando em um intermediário, uma receita ou uma regra que possa seguir para se sentir mais seguro.

AUTOSSABOTADOR CONTROLADOR

A pessoa que quer controlar as ações e os resultados de todos ao seu redor e acredita que tem a melhor visão e estratégia para tudo é uma autossabotadora controladora. Os desafios são estimulantes para ela, mas é um problema quando as coisas não saem conforme planejou ou “ordenou”. A ansiedade, a urgência e a irritabilidade são sentimentos que a acompanham. Esse tipo de pessoa não consegue compreender quando os outros não querem seu direcionamento ou desejam experimentar outros caminhos e outras formas de realizar tarefas.

AUTOSSABOTADOR ESQUIVO

Receber críticas, antagonizar, discutir relacionamento e praticar autoanálise são ações insuportáveis para algumas pessoas. O sabotador interno esquivo nasce do impulso de escapar das ações e situações descritas e desenvolve alguns meios para isso. Aparentemente são pessoas pacíficas, solícitas e sorridentes que têm dificuldade de se colocar, e até mesmo de negar algo que não desejam, por exemplo. Se comportando assim a pessoa pode gerar uma pressão interna, fazendo com que ela se manifeste de forma explosiva em algum momento, já que a serenidade é forjada.

Para lidar com estes sabotadores o processo de coaching é uma ferramenta eficaz e eficiente nos dias atuais. Com uma vida atribulada com tantas tarefas a cumprir, em poucas sessões  o Coach te ajudará a ter uma maior percepção de seu comportamento inconsciente que impede seu crescimento.

Referencias
Chamine, S.  - Inteligência Positiva - Rio de Janeiro, ed. Fontanar, 2013.